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Quero vencer a morte e, se possível logo, o mais rápido possível. Guardo todo dia, em casa, uma ausência na minha prateleira; preciso preenchê-la e, se possível, em breve vou conseguir.
Preciso, incansavelmente, sair de casa para então voltar para ela. Preciso ter de voltar para casa; preciso, na verdade, ter uma casa para voltar. Quero ter onde morar e ter uma prateleira, e acho que assim eu venço a morte.
Acho que vou escrever um livro com as ausências; assim, fica mais fácil guardá-las na prateleira e sobra mais espaço na casa. Planejo, então, minuciosamente o dia em que descubro o que fazer com o espaço que me sobra, já que agora minhas ausências catalogadas me ajudam a organizar as próximas que virão.
Continuar é esse desbunde.
Portanto, eu continuo.
E só assim eu venço a morte

© 2026 "Carlton" um projeto audiovisual de Paulo de Andrade

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